Livro – Cultivo Hip Hop https://cultivohiphop.com.br Hip Hop no Sul de Minas Sun, 16 Aug 2026 18:46:29 +0000 pt-PT hourly 1 https://cultivohiphop.com.br/wp-content/uploads/2025/02/cropped-favicon-image-Cultivo-32x32.png Livro – Cultivo Hip Hop https://cultivohiphop.com.br 32 32 Lídia Cruz lança o livro ‘Elas Chegam’, obra que desvenda os desafios das mulheres negras rumo ao poder https://cultivohiphop.com.br/literatura/lidia-cruz-lanca-o-livro-elas-chegam-obra-que-desvenda-os-desafios-das-mulheres-negras-rumo-ao-poder/ Sun, 16 Aug 2026 18:20:56 +0000 https://cultivohiphop.com.br/?p=4311

Com raízes no Sul de Minas, autora denuncia os ‘pactos silenciosos’ da exclusão institucional e convida o leitor a repensar as estruturas políticas e sociais do Brasil.

O mercado editorial brasileiro recebe uma obra urgente, incisiva e necessária. Em “Elas Chegam – O Caminho das Mulheres Negras ao Poder”, a escritora, servidora pública federal e articuladora institucional Lidia Geronimo da Cruz investiga o sinuoso, solitário e profundamente político trajeto das mulheres negras até as mesas de decisão no país.

Capa oficial do livro Elas Chegam

A premissa do livro é direta e provocadora: elas chegam, mas quase nunca são esperadas. E, quando finalmente ocupam essas posições, o poder tenta ditar até onde podem ir. A partir de depoimentos reais, análise crítica e reflexão estrutural, Lídia revela o que raramente é dito. A obra comprova que o problema nunca foi a falta de talento, preparo ou mérito, mas a engrenagem de um sistema desenhado para impedir que essas mulheres permaneçam e transformem o poder por dentro.

Embora seja natural de São Bernardo do Campo (SP), a autora construiu laços fortes com o interior mineiro e hoje reside em Guaxupé, no Sul de Minas. Para a região, ter uma mulher negra ocupando lugares de destaque no debate público e literário nacional é um marco de imensa representatividade, capaz de inspirar outras meninas e mulheres a trilharem caminhos de liderança.
Essa conexão afetiva com o território é um pilar na trajetória da escritora, como ela mesma relata: “Tenho uma relação muito especial com Guaxupé. Minha família tem raízes na cidade e foi aqui que vivi parte da minha infância e adolescência. Hoje, inclusive, moro em Guaxupé. A cidade marcou momentos importantes da minha trajetória e, por isso, sempre faço questão de valorizá-la.”

Escritora Lídia Cruz | Foto divulgação

Estrutura, ruptura e o fim da ilusão meritocrática

Se você procura mais uma narrativa romântica sobre “trajetórias individuais de sucesso”, esta leitura vai te surpreender. “Elas Chegam” é, na verdade, um manual sobre estrutura, ruptura e futuro.

Ao longo das páginas, a autora mergulha em feridas abertas e temas cruciais que muitas instituições preferem ignorar. Lídia denuncia o “muro invisível” da chamada confiança racializada, a solidão institucional de quem é a primeira a chegar, o controle emocional exigido em ambientes corporativos e o embranquecimento como estratégia imposta de sobrevivência. Com isso, o livro desmonta o discurso confortável da meritocracia e joga luz sobre os pactos silenciosos que sustentam a exclusão na administração pública e no setor privado.

Por que você precisa ler ‘Elas Chegam’?

Mais do que um relato ou um manifesto, o livro é um convite magnético para que mulheres negras se reconheçam em suas páginas — e um desafio direto para que as instituições finalmente se expliquem e mudem suas práticas. Lídia não se limita a apontar o que está errado; ela celebra a potência das redes de resistência negras e apresenta soluções reais para a transformação institucional.

Para quem deseja entender os mecanismos do poder no Brasil e se tornar parte ativa na construção de uma democracia verdadeira, a obra é incontornável. “Elas Chegam” aponta para um futuro onde a presença de mulheres negras no poder não seja mais um choque, uma cota ou uma exceção, mas sim o centro motor da transformação do nosso país.

Com 112 páginas de uma leitura intensa e necessária, o livro foi publicado pela editora Manufatura das Letras no dia 6 de maio de 2026. A obra já está disponível para os leitores de todo o país e pode ser adquirida facilmente através das plataformas virtuais Amazon e Mercado Livre.

Instagram: @dra.lidia_gcruz

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Escritora mineira Jéssica Balbino estreia na ficção com horror latino-americano que transforma a violência contra mulheres e corpos gordos em literatura https://cultivohiphop.com.br/literatura/escritora-mineira-jessica-balbino-estreia-na-ficcao-com-horror-latino-americano-que-transforma-a-violencia-contra-mulheres-e-corpos-gordos-em-literatura/ Thu, 23 Jul 2026 13:38:04 +0000 https://cultivohiphop.com.br/?p=4264

O que se move não precisa ser nomeado integra a coleção Papéis Selvagens e é inspirada na tradição do horror escrito por mulheres latino-americanas como Mariana Enriquez e Carmen Maria Machado

Depois de fazer da autoficção um instrumento para discutir gordofobia, desejo e pertencimento em Porca Gorda, um dos livros brasileiros de maior repercussão de 2025, a escritora, jornalista e curadora mineira Jéssica Balbino inaugura um novo momento de sua trajetória literária.

A autora estreia na ficção fantástica com O que se move não precisa ser nomeado, publicado pela Mapa Lab em parceria com a Janela Livraria. A obra integra Papéis Selvagens, coleção organizada pela escritora e artista Janaina Tokitaka que reúne cinco narrativas inéditas sobre mulheres, animais e as fronteiras entre o humano e o selvagem. 

Mais do que mudar de gênero literário, Jéssica Balbino amplia uma investigação que atravessa toda a sua obra: como escrever violências que o realismo já não consegue explicar.

Em O que se move não precisa ser nomeado, a autora constrói um horror em que a monstruosidade deixa de pertencer aos corpos historicamente marginalizados para revelar a violência estrutural dirigida contra eles. Água, lama, animais e transformação corporal tornam-se elementos de uma narrativa em que mulheres carregam memórias ancestrais e interrompem ciclos de violência masculina. 

Depois de Porca Gorda, percebi que existiam experiências que já não cabiam na linguagem da realidade. A violência contra mulheres e pessoas gordas é tão cotidiana que muitas vezes se torna invisível. O horror me permitiu devolver estranhamento ao que nunca deveria ter sido considerado normal“, afirma a autora.

A escolha dialoga com uma geração de escritoras latino-americanas que recolocou o horror no centro da literatura contemporânea. Nomes como a argentina Mariana Enriquez, a equatoriana María Fernanda Ampuero e a cubano-americana Carmen Maria Machado transformaram o fantástico em ferramenta para narrar feminicídio, violência doméstica, desigualdade social e traumas herdados.

Foto: Michelle Veloso

É nesse território que a escritora insere sua estreia ficcional. Se Enriquez faz das cidades organismos vivos e Ampuero utiliza o grotesco para revelar a brutalidade das relações de gênero, Balbino parte da experiência dos corpos gordos e femininos para construir um horror profundamente brasileiro, marcado pelas águas, pela oralidade, pela memória coletiva e por uma criatura que transforma um dos insultos mais antigos dirigidos às mulheres gordas em potência narrativa.

A porca, historicamente utilizada como metáfora de degradação feminina, deixa de representar vergonha para tornar-se uma entidade que reorganiza o mundo.

“A mulher gorda sempre foi tratada como monstruosa. Resolvi inverter essa lógica. O monstro da minha história não é a mulher. O monstruoso é o sistema que transforma determinados corpos em alvo permanente de violência”, diz.

Uma coleção que apresenta novas vozes do fantástico brasileiro

A estreia acontece dentro de um projeto editorial que aposta justamente na renovação da literatura fantástica escrita por mulheres.

Organizada por Janaina Tokitaka, Papéis Selvagens reúne cinco plaquetes que exploram o encontro entre mulheres e animais. São narrativas em que medo, desejo, luto, memória, raiva e sobrevivência atravessam o cotidiano, enquanto os bichos revelam violências invisíveis, transformam corpos e desfazem as fronteiras entre natureza e humanidade. 

Além de Balbino, participam da coleção Janaina Tokitaka (Animais domésticos), Isabela Noronha (Martas), Tainá Muhringer Tokitaka (O reconhecimento dos insetos necrófagos) e Silvana Tavano (Zumbido).

Da autoficção ao horror

Embora represente sua estreia na ficção fantástica, O que se move não precisa ser nomeado estabelece um diálogo direto com Porca Gorda. Nos dois livros, o corpo permanece no centro da narrativa.

Se na autoficção Balbino investiga a formação subjetiva de uma mulher gorda diante da violência cotidiana, na nova obra essa violência assume uma dimensão fantástica, aproximando-se do horror e do realismo mágico latino-americano para discutir memória, trauma e sobrevivência.

Para a autora, trata-se menos de uma mudança de tema do que de linguagem. “Percebi que algumas violências só podem ser narradas quando abandonamos a obrigação de sermos realistas. O horror permite escrever aquilo que o corpo sabe antes que a linguagem consiga explicar.”

Circulação nacional

O lançamento da plaquete marca também um momento de intensa circulação da autora. Durante a Flip, em Paraty, Jéssica Balbino participa da mesa “Para não ser esquecido: Memória, encarceramento e a palavra como resistência das periferias brasileiras”, ao lado de Jandira Feghali, Cléo Santos, Hamilton Borges, Julinho Barroso e Marcus Galinã, com mediação de Elaine Barbosa, em um debate sobre memória, criminalização e a literatura como ferramenta de resistência nas periferias brasileiras. Também integra o Café Literário – Podcasts Literários, no Sesc Santa Rita, ao lado da jornalista e criadora de conteúdo Tatiany Leite, com mediação de Diogo Brunner, discutindo como podcasts e plataformas digitais vêm transformando a circulação da literatura e aproximando autores e leitores. A programação segue em Registro (SP), onde participa da mesa “Nóis por Nóis – Literatura Marginal e Resistência nas Quebradas”, dividindo o palco com Ferréz, em uma realização da Flipei em parceria com o Sesc. Na sequência, a autora integra o Festival Ebulição Marginal, em Curitiba (PR), um dos principais encontros dedicados à literatura periférica no Brasil, novamente ao lado de Ferréz e desta vez também de Ryane Leão. Em agosto, retorna a São Paulo como uma das curadoras da Flipei – Festa Literária Pirata das Editoras Independentes, realizada entre os dias 5 e 9 de agosto, ministra a oficina “Meu Corpo, Minha Biografia”, no Sesc Botucatu, nos dias 12 e 13, e encerra essa intensa temporada literária em sua cidade natal, Poços de Caldas, durante o Rabiscos – A Festa (20 a 23 de agosto), quando lança a coletânea Narrativas Urgentes, organizada por ela e que reúne importantes vozes da literatura brasileira contemporânea.

Acompanhe Jéssica Balbino
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Lukas Cristiano lança seu primeiro livro para compartilhar legado de superação e cultura de rua em Guaranésia https://cultivohiphop.com.br/literatura/lukas-cristiano-lanca-seu-primeiro-livro-para-compartilhar-legado-de-superacao-e-cultura-de-rua-em-guaranesia/ Tue, 16 Jun 2026 23:42:44 +0000 https://cultivohiphop.com.br/?p=4098

Aos 29 anos, o produtor cultural Lukas Cristiano lança o livro ‘Nem Toda Chuva Cai do Céu: A Fome Que Virou Combustível’ no dia 20 de junho. Obra relata desde a juventude no movimento hip hop até o marco histórico no Legislativo do Sul de Minas.

O produtor cultural, músico e ex-vereador Lukas Cristiano, de 29 anos, se prepara para compartilhar sua trajetória de vida com o público. Nascido e criado em Guaranésia, no Sul de Minas, Lucas lança no próximo dia 20 de junho sua biografia intitulada “Nem Toda Chuva Cai do Céu: A Fome Que Virou Combustível”.

Capa oficial

O evento de lançamento acontecerá em um cenário de grande valor simbólico para o autor: durante a próxima edição da Batalha da Sinhá, projeto fundado por ele e que se consolidou como um dos maiores eventos culturais da região.

A obra promete um mergulho íntimo nas memórias da família de Lucas — filho de dona Vilma Aparecida dos Santos — e nas experiências marcantes que forjaram sua identidade dentro do movimento cultural sul-mineiro. Segundo o autor, o título da obra reflete diretamente as dificuldades enfrentadas ao longo da vida e como as adversidades foram transformadas em força motriz.

“Há muito tempo eu sentia essa vontade guardada no peito: a necessidade de abrir o coração e compartilhar, de verdade, tudo o que vivi, tudo o que aprendi e cada marca que o tempo deixou em mim. (…) Falo das lutas que pareciam não ter fim, daquilo que faltou, do que foi difícil, mas principalmente: de como toda aquela falta, toda aquela dor e toda aquela necessidade se transformaram no combustível que me impulsionou para frente”, relata Lukas.

A história de Lucas se confunde com o desenvolvimento da cultura urbana em Guaranésia. Antes de atuar nos bastidores como produtor cultural, ele iniciou sua caminhada na juventude como B-Boy. Entre os anos de 2010 e 2022, consolidou-se como MC, participando ativamente de batalhas de rimas e competições pelo estado. Atualmente, além de ser músico do grupo VDM ( Voz da Mente ) e poeta independente, atua como organizador e apresentador das batalhas que ajudou a criar.

Essa proximidade com as ruas e com as demandas sociais impulsionou sua entrada na vida pública. Em 2020, Lukas fez história em Guaranésia ao ser eleito vereador com 313 votos. Além de ser um dos parlamentares mais jovens daquela legislatura, tornou-se o primeiro homem negro eleito para o Legislativo do município.

Durante seu mandato, destacou-se pela aprovação da Semana do Artista, pela ampliação de projetos culturais e pela articulação de recursos para a saúde, educação e infraestrutura da cidade. Nas eleições de 2024, recebeu 357 votos, sendo o quinto candidato mais bem votado. Embora não tenha assumido uma nova cadeira devido ao quociente eleitoral, Lukas avalia que o legado construído permanece vivo e beneficiando a população. Hoje, ele também integra a equipe do mandato do deputado estadual Marquinho Lemos, representando as demandas locais.

Lançamento coletivo

Para o autor, a decisão de publicar a biografia de forma independente e lançá-la em praça pública, durante a Batalha da Sinhá, reforça a crença de que a história pessoal ganha força quando compartilhada com a comunidade. “É junto dos nossos, com quem caminhamos e construímos, que nos fortalecemos e nos tornamos mais fortes”, conclui o autor, que vê na publicação do livro uma forma de fortalecer a identidade do povo de sua terra natal.

Serviço

  • O quê: Lançamento do livro “Nem Toda Chuva Cai do Céu: A Fome Que Virou Combustível”

  • Quem: Lukas Cristiano

  • Quando: 20 de junho

  • Onde: Durante a Batalha da Sinhá, em Guaranésia (MG)

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Escritora Claudinea Moreira faz lançamento oficial do livro Cabeluda, neste sábado em Guaxupé https://cultivohiphop.com.br/eventos/escritora-claudinea-moreira-faz-lancamento-oficial-do-livro-cabeluda-neste-sabado-em-guaxupe/ Thu, 11 Jun 2026 12:38:52 +0000 https://cultivohiphop.com.br/?p=4072

A escritora, educadora e ativista Claudinea Moreira realiza neste sábado, 13 de junho, em Guaxupé, o lançamento oficial de sua mais recente obra infantil, o livro “Cabeluda”. O encontro acontecerá às 16 horas, na Quadra de Esportes do Parque dos Municípios I.

Mais do que uma simples sessão de autógrafos, a ocasião foi estruturada para ser uma verdadeira festa da cultura popular. A organização preparou uma programação rica e diversificada que inclui um sarau, apresentações artísticas e muita música, elementos que refletem as raízes e a vivência comunitária da autora.

Com ilustrações vibrantes do artista Ruto e publicação pela Editora Capim-Limão, “Cabeluda” é o ápice de um trabalho contínuo de Claudinea Moreira em prol da educação antirracista. Professora de História e Artes, além de figura marcante nos movimentos de Hip Hop, a autora dedica a sua trajetória a levar a tradição da cultura afro-brasileira tanto para as salas de aula quanto para os espaços culturais da cidade.

A escritora apoia a construção de “Cabeluda” no conceito de escrevivência — termo cunhado pela intelectual Conceição Evaristo, que celebra a escrita nascida da experiência viva e das memórias da população negra. São narrativas que visam o fortalecimento da autoestima de crianças negras e o combate estrutural ao preconceito desde a tenra idade, mostrando que a literatura é também uma ferramenta de sobrevivência e empoderamento.

Serviço:

O quê: Lançamento oficial do livro infantil “Cabeluda”, de Claudinea Moreira (Ilustrações de Ruto).

Quando: Neste sábado, 13 de Junho.

Horário: Às 16h.

Onde: Quadra de Esporte, Parque dos Municípios I – Guaxupé/MG.

Atrações: Sarau, apresentações culturais, música e sessão de autógrafos.

Entrada: Gratuita e aberta a toda a comunidade.

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Arte e Pedagogia contra o Abuso Infantil: Projeto no Sul de Minas Lança o Gibi “Meu Corpinho, Meu Tesouro” https://cultivohiphop.com.br/literatura/arte-e-pedagogia-contra-o-abuso-infantil-projeto-no-sul-de-minas-lanca-o-gibi-meu-corpinho-meu-tesouro/ Thu, 21 May 2026 16:58:03 +0000 https://cultivohiphop.com.br/?p=3960

O marco do Maio Laranja — período dedicado à conscientização e ao Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil —, uma iniciativa inteiramente autoral independente nascida no Sul de Minas Gerais surge como uma ferramenta poderosa de transformação social. Trata-se do mini gibi “Meu Corpinho, Meu Tesouro”, concebido pela acadêmica de Pedagogia Maria Júlia e que ganha vida através do traço marcante do ilustrador  e artista independente Junior Soares, amplamente conhecido como Santo Pão.

O projeto teve sua gênese no ambiente acadêmico, fruto de um Projeto Integrador do IFSULDEMINAS – Campus Muzambinho. A faísca inicial partiu de uma demanda real apresentada pela Escola CEMEI Professora Tereza Cristina, localizada no município de Guaranésia (MG), onde Maria Júlia reside  atualmente. Diante do desafio de abordar um tema de tamanha complexidade e delicadeza com a primeira infância, a estudante enxergou na literatura em quadrinhos a linguagem ideal.

Capa do Gibi

O Poder do Lúdico na Proteção Infantil

Abordar as fronteiras do próprio corpo com crianças exige sensibilidade e uma abordagem que desmistifique o medo, substituindo-o pela informação segura. “A proposta era falar sobre os limites do corpo das crianças, criando algo que pudesse ser entendido por elas de forma lúdica, divertida e que chamasse sua atenção“, explica a autora. Nascida em Rio Claro (SP), Maria Júlia uniu seu olhar pedagógico à urgência social de proteger a infância.
Para materializar essa visão, a parceria com o ilustrador Mano Pão, foi o elo determinante. O estilo expressivo e a sensibilidade do artista independente moldaram o universo visual da obra.

Maria Julia e Junior Soares ( Pão )

Percebi que suas ilustrações se encaixariam perfeitamente com o que eu queria trabalhar, e assim planejamos. Ele foi essencial em todo o processo, dando vida de forma brilhante à história e aos personagens”, relata Maria Júlia, demonstrando profunda gratidão pela sinergia artística e pelo apoio mútuo na coautoria do gibi.

“Todos os dias deveriam ser laranja. Todos os dias deveríamos falar sobre o abuso infantil, e não dar visibilidade ao tema apenas no mês de maio, fazendo com que as pessoas se lembrem dele somente nessa época, enquanto as estatísticas de vítimas continuam aumentando.” — Maria Júlia, idealizadora do projeto

Super-Heróis e Lições de Cuidado

A narrativa de “Meu Corpinho, Meu Tesouro” constrói uma metáfora clara e acessível sobre segurança e consentimento. O enredo introduz a figura do Capitão Lumi, um super-herói cuja missão principal é atuar como o protetor oficial das crianças. Longe de usar a força bruta, as armas do herói são o ensinamento e o diálogo. Ele instrui os pequenos sobre o valor de seus corpos, delimitando o que são toques respeitosos e alertando sobre a importância de não permitir que qualquer pessoa ultrapasse esses limites.

O Processo Criativo e a Força da Representatividade

O universo visual de “Meu Corpinho, Meu Tesouro” foi meticulosamente construído por Junior Soares (Santo Pão). O processo criativo iniciou-se com a leitura do roteiro e trocas de ideias. Segundo o ilustrador, o design das quatro crianças foi mantido intencionalmente mais simples, direcionando o foco da história para a mensagem vital de autocuidado e preservação do corpo contra pessoas mal-intencionadas.

A diversidade, contudo, foi um pilar central na criação. “O que eu mais achei bonito foi a ideia da Maju de colocar dreads no Capitão Lumi”, relata o artista. “O fato de ele ser um herói negro foi algo muito importante, pois não existem tantos heróis com essa representatividade.” As cores vivas e o estilo do herói buscam uma imediata identificação com o universo pop já conhecido pelos pequenos. A pluralidade também se estende aos protagonistas infantis: Akim traz a representatividade indígena, enquanto Jabari carrega um nome de origem africana.  Inserido no cenário de um parque de diversões, ele foi transformado em um inusitado vendedor de balões, vestindo pantufas de cachorro e asas de anjo de brinquedo.

“Tanto o carro quanto os balões dele possuem cachorros como tema, justamente para mostrar às crianças que o perigo pode vir da forma mais inocente possível”, explica Mano Pão.

Em uma bela homenagem metalinguística, a própria Maria Júlia foi eternizada nas páginas como a professora da turma, servindo como um porto seguro dentro da narrativa. Com personagens que parecem pular para fora dos quadrinhos e envoltos em explosões de cores vivas, a arte não apenas ilustra, mas potencializa magistralmente a mensagem essencial do gibi.

Financiamento Próprio e Foco Social

Sendo uma iniciativa estritamente humanitária e pedagógica, o gibi foi custeado inteiramente com recursos do próprio bolso da autora em parceria com o ilustrador. Sem visar qualquer tipo de lucro ou comercialização, a tiragem inicial foi planejada de maneira estratégica para atender à comunidade. O foco absoluto e prioritário do projeto, neste momento, concentra-se na doação e distribuição direta do material em escolas públicas da região e em bibliotecas locais, garantindo que a mensagem chegue a quem mais precisa.

Contudo, os idealizadores não pretendem parar por aí. Diante do impacto positivo imediato nas primeiras entregas, existe o desejo e a total abertura para expandir as impressões e alcançar novos territórios, desde que surjam novos apoios ou parcerias institucionais. “Não seria nenhum problema fazer mais quantidades para que mais pessoas possam ter acesso e conhecer o mini gibi. Seria um imenso prazer”, projeta a pedagoga.

Projetos como o de Maria Júlia e Junior Soares relembram o papel da arte e da educação como ferramentas de vanguarda na defesa de direitos fundamentais. Ao dar voz e ferramentas de defesa aos pequenos leitores, “Meu Corpinho, Meu Tesouro” planta uma semente indispensável de respeito, limites e, acima de tudo, proteção à inocência.

Para colaborar com o projeto de ampliação das tiragens ou agendar distribuições em bibliotecas, entre em contato diretamente com os idealizadores.

Instagram:
Maria Julia @_domaju
Junior Soares @osantopaoo

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Claudinea Moreira transforma ativismo e educação antirracista no livro “Cabeluda” https://cultivohiphop.com.br/literatura/claudinea-moreira-transforma-ativismo-e-educacao-antirracista-no-livro-cabeluda/ Wed, 15 Apr 2026 01:20:29 +0000 https://cultivohiphop.com.br/?p=3743

Quando a literatura, a educação e a cultura de rua se encontram, o resultado costuma transformar realidades. É exatamente esse o impacto de “Cabeluda”, o novo livro infantil da escritora, educadora e ativista Claudinea Moreira. Lançada pela editora Capim Limão, com destaque recente na feira literária Fliperdões, a obra é o ápice de um trabalho contínuo de valorização da identidade negra e do combate ao racismo nas escolas.

Nascida em Taguatinga, no Distrito Federal, e hoje moradora de Guaxupé, no Sul de Minas, Claudinea é uma força multifacetada. Professora de História e Artes, ela tem uma presença marcante nos movimentos de Hip Hop da região e dedica sua trajetória à educação antirracista. Seja nas salas de aula ou em eventos culturais, ela é conhecida por levar adiante a tradição dos contos africanos e afro-brasileiros.

Para ela, a literatura não é apenas imaginação, é registro e sobrevivência. A autora define o texto de “Cabeluda” através do conceito de escrevivência — termo que celebra a escrita nascida da experiência viva e das memórias da população negra. “São histórias que só nós sabemos contar, porque nós as vivenciamos“, ressalta Claudinea.

Escritora Claudinea Moreira na Fliperdões

O caminho até a publicação oficial de “Cabeluda” reflete a essência do trabalho de base que Claudinea realiza. A história surgiu dentro do projeto social “Conhecendo para me conhecer“, executado em Guaxupé e Guaranésia, que tinha como pilar o respeito à diversidade, o autocuidado e o encontro das crianças com suas próprias identidades — sejam elas brancas, negras ou indígenas.

O que começou como uma poesia trabalhada com os alunos, logo tomou a forma de um fanzine artesanal. A virada de chave aconteceu quando a obra chegou às mãos de uma menina chamada Ana Luiza. A conexão foi imediata. “Ela olhou pro livro e disse: ‘Tia, a Cabeluda sou eu. Leva para as escolas, leva para a minha professora ler‘”, relembra a autora. Aquele pedido autêntico de uma criança que se viu representada foi o combustível definitivo para que o zine virasse um livro de alcance muito maior.

Para ilustrar uma narrativa tão enraizada na cultura urbana e na identidade negra, Claudinea buscou um parceiro que compartilhasse dessa mesma vivência de rua. O escolhido foi Giovany, o Ruto, grafiteiro e muralista de Guaranésia, com mais de 10 anos de atuação.

RUTO e Claudinea na Rádio Comunitária 87FM de Guaxupé

A escolha reforça o compromisso da autora com os elementos do Hip Hop. “Já conhecia a Claudinea através das batalhas e movimentos do hip hop, e já havia também ouvido ela recitar a história da Cabeluda“, conta o artista, que faz sua estreia na ilustração editorial infantil. Foi em conjunto que eles decidiram que o visual da personagem central seria uma homenagem direta a Ana Luiza. “Saí um pouco da caixa em relação aos personagens que estou acostumado a desenhar para manter um padrão, fazendo muitas pesquisas e misturando a criação com releituras“, explica Ruto.

Capa do livro Cabeluda. Ilustração: RUTO

Com “Cabeluda” agora nas mãos de professores, pais e alunos, Claudinea Moreira consolida seu papel não apenas como escritora, mas como uma educadora que escuta as ruas e as salas de aula. Ao atender o pedido da pequena Ana Luiza, ela entrega para as crianças do Sul de Minas — e de todo o Brasil — uma ferramenta poderosa de ancestralidade, autoestima e empoderamento.

Garanta o seu exemplar de “Cabeluda”

Fortaleça a literatura independente, a cultura regional e a educação antirracista levando essa história para as crianças da sua família, projetos ou escolas. O livro já está disponível para venda e chega em qualquer lugar do país!

Valor: R$ 40,00 + Frete 
Envios para todo o Brasil

Como comprar: Faça o seu pedido diretamente pelo WhatsApp (35) 9823-4084 ou mande uma mensagem na DM do Instagram da autora, Claudinea Moreira.

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