Encontrar espaço para a cultura urbana no interior é um ato contínuo de resistência. Em uma área fortemente dominada pelo agronegócio e pelo sertanejo, o projeto Bailin na Roça se consolidou por ser “a festa que a gente queria ir e não tinha na região“. Funcionando como um reduto de contracultura, o evento ganha vida de forma inusitada e contrastante dentro de um pesqueiro, abrindo portas para MCs, bandas locais e, acima de tudo, para a cultura dos toca-discos.
Celebrando um ano de existência e 12 edições de música independente, o projeto realiza uma festa especial nesta sexta-feira, dia 01 de maio, a partir das 20h. O evento acontece no Pesqueiro Vale das Rosas, em São Pedro da União, com o som comandado pelos idealizadores DJ Chicuts e DJ Humbeatz. A entrada é franca.
A ideia de fundar o Bailin nasceu de uma profunda pesquisa musical e da vontade de comunicar uma vivência. O DJ Chicuts explica como o seu próprio ambiente influenciou a criação da festa: “Desde pequeno aqui, embora eu esteja numa cidade de 5 mil habitantes, quase parada no tempo, a globalização trouxe essa cultura urbana. O skate, que é uma baita referência pra mim, me levou pra esse estilo urbano, pra música, pro hip hop. Então, hoje eu consigo transmitir isso. O Bailin na Roça vem como uma transmissão dessa antena, tá ligado?“
Para formatar o evento, ele buscou referências em movimentos que souberam misturar a tradição regional com as batidas do mundo. O projeto se espelha diretamente em nomes consagrados e em iniciativas independentes que moldaram a cena: “Seguindo o exemplo do Chico Science e Nação Zumbi, do Manguebeat… Os caras estão dentro do mangue, mas estão antenados com o mundo. Depois a gente vê o Matuto S.A., que sintetizou muito bem a parada do rural-urbano, e não pode esquecer de falar do Projeto Consonância, do DAIS, do DGO. Vendo esses caras, a gente vê que vai criando a identidade própria, que também faz parte desse movimento.”
Para o DJ Humbeatz, que divide o comando das pick-ups e traz consigo uma grande bagagem na discotecagem, o projeto representa um respiro vital. “A sensação é de liberdade. O Bailin na Roça me reconectou com o mundo. Eu tinha perdido um pouco dessa esperança“, confessa.
Em tempos de consumo musical acelerado e focado no algoritmo, a festa aposta no formato analógico para ditar o ritmo da pista, fugindo da “música instantânea”. Humbeatz destaca que a escolha do disco de vinil é fundamental para criar a atmosfera proposta: “O vinil transmite muito isso. Ele vem de uma época em que a tecnologia não era o que é hoje. Ele é nostálgico, traz tudo isso à tona, e é físico, você tem um contato com a música ali.“
A curadoria musical foge do entretenimento puramente comercial, com o objetivo de entregar uma experiência que marque o público. “A gente transmite uma música de protesto, música para alegrar as pessoas, músicas que as reconectam com seu passado e que as levam para o futuro“, pontua o DJ. “A música brasileira é muito rica, o rap também. É uma música que não é feita somente para ganhar dinheiro, ela realmente toca as pessoas.”
Segundo a produção, a longevidade e o sucesso do evento são reflexos diretos dessa paixão. “O sucesso acho que vem um pouco dessa felicidade que a gente tem em fazer isso e da reação que as pessoas têm quando a gente está lá tocando“, avalia Humbeatz.
Ao atingir a marca de um ano de suor e persistência, o sentimento geral é de missão cumprida e fôlego renovado para o futuro. “A gente finca bandeira porque quer levar isso, contagiar as pessoas com essa alegria. A verdade é essa“, finaliza o DJ.
Serviço:
O quê: Edição comemorativa de 1 Ano do “Bailin na Roça”
Quando: Sexta-feira, 01 de maio, a partir das 20h
Onde: Pesqueiro Vale das Rosas – São Pedro da União
Atrações: DJ Chicuts e DJ Humbeatz
Entrada: Gratuita





