Artista de 28 anos, radicada em Guaxupé (MG), estreia no audiovisual com manifesto sobre resistência, identidade latino-americana e o protagonismo feminino na cultura de rua.
A rapper, poeta, ativista e arte-educadora aZuri, de 28 anos, acaba de lançar o seu primeiro videoclipe oficial para a faixa “La-Latina”. A obra é um verdadeiro manifesto que celebra a força, a identidade e a resistência das mulheres negras, latino-americanas e periféricas.
Embora tenha nascido na cidade de Três Pontas, aZuri viveu a vida inteira em Guaxupé e se considera com orgulho uma “guaxupeana“. Sua trajetória com as palavras começou cedo: aos 8 anos, já escrevia poesias. A partir de 2021, passou a trabalhar ativamente com a cultura negra e, em 2023, mergulhou de cabeça no Hip Hop, onde desenvolveu um estilo próprio de rima e poesia, além de focar fortemente na produção cultural de sua região.
A Força e a Representatividade da Mulher no Hip Hop
Historicamente, o Hip Hop foi construído com a presença fundamental de mulheres, embora o reconhecimento e o protagonismo no gênero tenham sido frequentemente dominados por figuras masculinas.
O trabalho de Azuri surge como uma quebra desse paradigma no cenário regional e nacional. Mulher negra e periférica, ela utiliza o rap como ferramenta para debater pertencimento, vivências da mulheridade negra e enfrentamento ao machismo e ao racismo estrutural.
A atuação de aZuri vai muito além dos palcos. Ela é fundadora do Movimento Revolução em Cores, organizadora da Batalha da Indi e integra a Nutrilhar — um coletivo de Hip Hop formada exclusivamente por mulheres mineiras, mostrando que a união feminina é a base para a transformação da arte independente. Ao colocar mulheres no centro da criação artística e da produção, aZuri exalta o papel vital das mulheres na manutenção e na evolução da cultura Hip Hop.
O clipe ‘La-Latina’
Gravado em Guaxupé (MG), o videoclipe de “La-Latina” foi pensado para valorizar não apenas o território local, mas também as profissionais e as mulheres da região, conectando o rap à memória da população negra e periférica. O instrumental conta com a produção e o beat assinados por Ohai e NK.
Assista o videoclipe completo no canal da artista
Em suas letras, aZuri transforma suas vivências em versos afiados, dialogando diretamente com a cultura latino-americana e reverenciando grandes nomes da ancestralidade negra. Durante a música, a rapper pede as bênçãos da histórica líder quilombola Tereza de Benguela e homenageia a marcante poeta e coreógrafa afro-peruana Victoria Santa Cruz, mostrando que sua rima tem profundidade, base histórica e consciência de classe.
